Sobre o Ícone Lady Gaga e o Show em Copa

Transformei em legenda o que escrevi mais cedo nos stories:

Ela não representa um partido político, uma ideologia, nada disso. Ela os atravessa. E os engloba. Ela representa o poder e o brilho de sermos quem somos, quando o mundo tenta nos resumir a rótulos.

Tenho visto pessoas se apropriando de Lady Gaga como se ela fosse a personificação de uma velha e cansada disputa política de um lado específico. Achei que já tivéssemos passado dessa fase. Mas ela escapa. E representa todos aqueles que tiveram que tirar forças das entranhas e cavar dentro de si o direito de existir com autenticidade.

Ela engloba o direito de não casar com quem não se ama genuína e profundamente. Engloba o direito de ser padre ou celibatário, por exemplo, numa geração em que o sagrado pode ser alvo de zombaria.

Ela abraça o direito de exercer sua arte em famílias em que isso não é apoiado. Ela apoia quem ousa criar sozinho num salão de expectativas alheias.

E ela engloba até a mim — que sou a filha do meio de uma família com 5 filhos em que 4 são gêmeos (faça as contas e verá que eu tive que nascer já aprendendo o que era ser diferente rs).

Enfim, a arte salva e não é propriedade de ninguém.

Afinal de contas, que delícia é ser livre, autêntica e pensar com meus próprios neurônios, ainda que nenhum grupo concorde comigo. Que delícia é pertencer a nós mesmos com toda a verdade possível. Que delícia é não ter mais necessidade de pertencer, porque já se pertence.

Com isso me despeço. E vou pra igreja neste domingo.

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